Ficha Técnica:
Direção: Abel Gance
Roteiro: Abel Gance
Produção: Abel Gance, Société générale des films, Robert A. Harris
Trilha sonora: Arthur Honegger
Direção de arte: Alexandre Benois, Alexandre Lochakoff
Fotografia: Léonce-Henri Burel, Jules Kruger, Nikolai Toporkoff
Figurino: Jeanne Lanvin
Cor: Preto e branco
Ano: 1927
Elenco:
Albert Dieudonne,
Gina Manes,
Abel Gance,
Edmond van Daele,
Annabella,
Pierre Batcheff.
Sinopse:
A intensa vida de Napoleão Bonaparte (Albert Dieudonné). Da infância
escolar por volta de 1780, quando já era estrategista, passando por
Córsega e a Revolução Francesa, até a triunfante invasão da Itália em
1796.
Análise:
Um marco no cinema na época, além de ser o primeiro filme a retratar a história de Napoleão Bonaparte, é o primeiro longa em explorar tudo que existia de mais evoluído em técnicas no cinema mundial.
O filme tem a finalidade de retratar Bonaparte desde a infância até sua morte, infelizmente esse projeto não se concluiu, o diretor Abel Gance tornou o longa em seu projeto de vida e pela sua tecnologia avançada não foi possível finalizar por falta de recursos financeiros. Felizmente a primeira parte foi concluída e podemos considerar uma obra de arte.
O inicio traz Napoleão criança mas já comandando um exercito em sua escola. A guerra? De bolas de neve! Napoleão e sua tropa estão em visível desvantagem, algo de 10 contra 50. Mas ele consegue com muita braveza e esperteza contornar isso e vencer então a sua primeira batalha. Por ter dificuldades em algumas matérias (Francês em especial, não sabia soletrar) o resto da turma caçoavam dele, então o filme mostra os indícios da personalidade forte de Napoleão.
Em um salto da infância para a fase adulta, Napoleão já havia estudado e se tornara um militar com grande potencial, sempre mostrando uma inteligência e coragem ímpar, ao longo do filme mostra ele sempre em batalhas em desvantagem, porém conseguindo contornar as circunstância e obtendo a vitória.
As principais partes do filme se dividem entre a travessia em direção a Córsega onde Napoleão trava uma batalha com a natureza enfrentando um mar muito agitado, o cerco de Toulon, a conhecida "a fase de terror" na revolução francesa e fechando com a primeira campanha italiana.
Entre tudo isso, uma história que fica marcada é a morte de Marat, retratando com perfeição um quadro de Jacques-Louis David (1973) onde podemos analisar a beleza do quadro se fundindo com o inicio da imagem em movimento.
O filme é História do começo ao fim, outros assuntos são abordados, como comédia, política, romance ( mostra um Napoleão apaixonado pela bela Josephine) e muita ação, principalmente em campo de batalha.
marcante é em uma das visões de Bonaparte ele coloca a vontade de transformar o mundo em algo globalizado, em que a França se torne fonte de referencia e exemplo a ser seguido por todos. Um mundo onde haja apenas uma nação!
São 4 horas de filme (há também a versão de 5), as vezes é um pouco cansativo, principalmente quando sai do contexto, mas analisando tecnicamente é impecável, fotografia, a trilha sonora conversando com cada cena, uma técnica que Méliès já aplicava (pintar a mão quadro a quadro para tornar a cena colorida) desta vez foi aplicada dependendo da cena: Cena em campo de batalha (tela vermelha), cena no gelo (tela branca), cena dentro de alguma casa (tela amarelada), fora os enquadramentos e ao final o uso de widescreen (projeção em de 3 cenas diferentes simultâneas na tela) entre muito outros. Tudo isso se culminou em um dos filmes históricos mais importantes até hoje. Uma verdadeira obra prima infelizmente não terminada, porém que teve seu final glorioso celebrando a vitória triunfante de Napoleão na Itália em uma cena onde as telas se fundem, formando as cores da França!



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