SÉRIE: O CINEMA CONTANDO A HISTÓRIA - O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

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Ficha Técnica:

Direção: Humberto Mauro
Roteiro: Alfonso de Taunay e Bandeira Duarte
Produção: Alberto Campiglia
Trilha sonora: Heitor Villa Lobos
País: Brasil
Cor: Preto e Branco
Ano: 1937

Elenco:

Álvaro Costa, Manoel Rocha, Alfredo Silva, Armando Duval, Carlos De Los Rios, João de Deus.

Sinopse:

Transcrição fílmica da Carta de Achamento do Brasil, escrita pelo escrivão da frota, Pero Vaz de Caminha.

Análise:

O longa é o primeiro filme nacional a tratar a História do Brasil, ironicamente, narra a "primeira aventura" no país.
Os roteiristas Afonso de Taunay e Bandeira Duarte optaram em seguir em partes a narrativa feita por Pero Vaz de Caminha, o escritor da famosa carta que descreve toda a trajetória de Pedro Alvares Cabral, e a carta tem destaque logo no inicio e também ao seu fim. 
O filme começa contando a rota feita por Cabral e suas primeiras paradas, nas Ilhas Canarias, Cabo Verde e São Nicolau, é interessante destacar que após essas paradas não há em nenhum momento a menção de que a frota de Cabral tivesse se perdido ou enfrentado alguma tempestade ou tempo ruim, argumento dado pela antiga historiografia sobre a chegada de Portugal ao Brasil. Isso mostra possivelmente uma visão do diretor para o acontecimento, pensando que o filme foi feito em 37, podemos considerar um avanço nas discussões da época.
A vida da tripulação é pouco mostrada, mas mostram portugueses cansados e tendo poucos momentos de lazer (um deles, a música). 
A primeira aparição da Igreja Católica é retratada em uma missa, ainda em mar, para comemorar o domingo de Pascoa 
Outra demonstração de que os portugueses já sabiam onde estavam indo era que em certo momento, foi no momento de gritar "terra a vista", a apreensão fica nítido e a busca pela terra torna-se angustiante. Em uma cena muito bem feita, muita névoa diante as naus, aos poucos vai se dispersando e então o tão esperado grito dado: TERRA!!! TERRA!!!! 
A presença do capitão-mor Pedro Alvares Cabral finalmente é revelada após o grito e os preparativos para pisarem naquela terra nova começam a ser feitos. Foram ao todo quatro paradas antes de explorar a região. A primeira, uma ancoragem apenas para passar a noite. Na segunda, Cabral pede para as naus se aproximarem e convoca Nicolau Coelho para uma observação primária, neste momento a nau principal está de fronte a um monte que fora então chamado de Monte Pascoal.

Nicolau Coelho se surpreende com ataque dos habitantes dos locais e então se vê obrigado a retornar. O capitão-mor decide avançar e procurar um outro lugar para aportar. 
Vemos então a terceira parada das naus, dessa vez Afonso Lopes fica incumbido da missão de ir para a terra, porém, antes de sua chegada, Lopes é abordado por índios, que dessa vez foram mais receptivos. Os portugueses reagem dando presentes para os índios e com isso conseguem a confiança deles, decidem então leva-los para a nau. 
Neste momento temos o primeiro contato, portugueses e índios se descobrindo. O diretor aborda o tema em cenas que beira ao cômico, índio descobrindo comidas e bebidas européia, até que de tanto beber vinho acabam dormindo por lá mesmo. Após sentir confiança nos portugueses, os índios decidem os levar à praia. Acontece então o quarto ancoramento, desta vez em um porto seguro.
Bartolomeu Dias chega à praia e é recebido por dezenas de índios desconfiados, uma das cenas mais emblemáticas do filme é justamente neste ponto, índios e portugueses trocando presentes, de um lado, os famosos espelhos, miçangas e guizos, do outro cocares cheio de penas, arco e flechas e artesanatos. 
Logo após essa aproximação mutua, os portugueses retornam com toda sua tripulação para a praia e são recebidos com festa e danças, em uma dessas danças, Diogo Dias expõem alguns saltos, a legenda diz serem "saltos reais". Simultaneamente, índios ajudam os portugueses a descarregar diversos objetos das naus, começa também a preparação para a primeira missa naquela terra. 
Os preparativos da missas colocam talvez mais uma discussão que o diretor coloca para o espectador, o desmatamento, dezenas de portugueses cortam arvores para montar uma imensa cruz, entre as arvores cortadas, um enorme pau-brasil. Os índios de inicio, olham desconfiados, assustados, mas acabam sendo incumbidos de levar o tronco gigante já em forma de cruz.
A primeira missa realizada no lugar agora chamado, Terra de Vera Cruz. Cercado de indígenas e europeus, jesuítas batizam os autóctones e alguns costumes começam a ser mudados, as mulheres começam a serem cobertas para não mostrar suas "vergonhas" e ao fim, todos permanecem de joelhos, louvando um novo Deus. 
O filme termina com o retorno de Gaspar Lemos com a famosa Carta de Caminha, carta essa que teve seus versos finais narrados em seu fim.
Em uma mistura de romance, ficção e drama, o filme consegue descreve de forma didática muitos momentos que aconteceu na época do "descobrimento", também dialoga com historiografias e teses sobre como fora a chegada de Portugal no Brasil, um ótimo registro.  






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